sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Forte liderança Bancada evangélica cresce 14% e deve prejudicar causas LGBTs.

RIO E SÃO PAULO — Com 80 deputados federais eleitos, a bancada evangélica na Câmara crescerá 14% a partir do ano que vem. Hoje, tem 70 representantes, entre bispos, pastores e seguidores de igrejas. O aumento, ainda que menor que os 30% esperados pela Frente Parlamentar Evangélica, deverá tornar ainda mais difícil a aprovação de projetos ligados a causas de homossexuais ou em defesa do aborto.
São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, e Rio de Janeiro, o terceiro, elegeram a maior parte dos candidatos evangélicos: cada um dos estados terá 14 deputados. O Paraná vem em seguida, com oito.
Ao todo, 39 deputados federais que hoje integram a Frente Parlamentar Evangélica não se reelegeram, mas alguns conseguiram fazer de parentes seus sucessores. No Rio, por exemplo, foi eleita Clarissa Garotinho (PR), filha de Anthony Garotinho, com 335.061 votos. Ela se tornou a campeã de votos entre os deputados evangélicos. Entre os novatos, vários são apadrinhados por nomes de peso dentro de suas igrejas. É o caso de Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ), que contou com o apoio do pastor Silas Malafaia em sua campanha.
Malafaia se gaba por influenciar parlamentares no Congresso Nacional:
"Dou cidadania há 28 anos, ensino como é o voto. Falo para o pessoal que é o voto da representação do segmento. Converso com esses caras e com vários deputados que não contaram com minha participação na campanha, que, mesmo assim, ligam para mim, agradecendo."
Um dos líderes da bancada, o deputado reeleito Eduardo Cunha (PMDB-RJ), autor do projeto de lei que pune discriminação contra heterossexuais, diz que lutará para impedir uma ampliação de direitos de homossexuais:
"A minha posição é clara. Eu sou contra projetos de lei progressistas. Uma grande parcela da sociedade, diria que a maioria, concorda comigo. Não vejo nada de mais."
Segundo o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) David Fleischer, a bancada evangélica é “bastante organizada” e deve repetir a performance dos últimos quatro anos na Câmara, alternando vitórias e derrotas:
"É uma bancada que tem uma liderança e um apoio forte, apesar de reunir seitas bem diferentes. A Igreja Universal ainda é maioria. As igrejas evangélicas têm mais sucesso ao induzir fiéis a votar em pastores e bispos."

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Isso sim é Atitude! Indignado com homofobia, padeiro divulga mensagens em sacos de pão.

O dono de uma padaria em Curitiba, Aderson Arendt, decidiu reivindicar o preconceito sofrido por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais e ilustrou os pacotes de pão com mensagens contra a homofobia – crime configurado pela discriminação contra LGBTs. Um levantamento divulgado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos mostra que, no Brasil, mais de um LGBT tem seus direitos violados a cada hora. Os dados também apontam que a cada 28 horas um LGBT é morto.
A mensagem "Homofobia é crime. Direitos iguais é inclusão social", também está estampada em um painel luminoso na padaria. Aderson contou que tomou a iniciativa após perceber o comportamento de pessoas dentro e fora do estabelecimento.
"Recentemente percebi uma cena em um restaurante que me deixou muito constrangido. Em uma mesa estava um grupo de gays e na outra havia várias pessoas tirando sarro e brincando com a situação", contou Aderson. "Eu me senti muito mal e constrangido. Não sabia nem como reagir ou ajudar", acrescentou o padeiro.
O comerciante destacou ainda que a maioria dos clientes da padaria aprovou a iniciativa. "As pessoas que vierem aqui e tiverem preconceito, prefiro que dêem meia volta e nem entrem", completou o comerciante. Nesta primeira etapa da "campanha", foram impressas mensagens em 500 mil pacotes.

Cala-te boca! Luciana Genro diz que Levy Fidelix deveria sair algemado, após discurso homofóbico.

Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) enfrentaram as falas do candidato, que sugeriu anteriormente que a "maioria deve enfrentar a minoria", quando questionado sobre homofobia e ausência de direitos LGBT.
Eduardo, que já havia manifestado indignação com as falas de Levy, propôs para que o candidato pedisse perdão ao povo brasileiro pelas suas falas. "O senhor extrapolou todos os limites e, com a sua fala, agrediu a população LGBT e agrediu 99,9% da população brasileira. O meu partido e outros partidos entraram com uma representação contra o senhor. Eu proponho que você peça perdão à sociedade brasileira", afirmou Eduardo.
Levy não pediu perdão e afirmou que Eduardo "não tem moral" para tal cobrança, devido aos projetos que envolvem a legalização da maconha e do aborto. Ele apelou: "Você propõe que o jovem consuma maconha, faz apologia ao crime, está no Código Penal. Você não vai colocar o povo brasileiro para ir contra o que diz a Constituição, que é o homem e a mulher".
Eduardo, então, garantiu que os dois irão "se encontrar" na Justiça e que ele estará como testemunha. "Se você quer me processar por minhas teses, que presa pela saúde das mulheres e que quer quebrar o poder do crime e ter um diálogo maduro com os usuários, faça. Quero aproveitar para reiterar que o senhor envergonhou o Brasil com sua atitude".
Depois, Levy perguntou para Luciana se ela teria palavra como presidente, uma vez que, segundo ele, ela rompeu o acordo de fazer uma pergunta para Marina Silva (PSB) no último debate e fez a pergunta para ele sobre homofobia.
Luciana disse que nunca rompeu nenhuma palavra com Fidelix, mas que ele "apavorou, chocou, ofendeu e humilhou milhares de pessoas com o discurso de ódio".
Ela defendeu que dizer para a "suposta maioria enfrentar uma suposta minoria" já aconteceu no passado, no holocausto, na escravidão. "Esse teu discurso de ódio é o mesmo que os racistas fazem contra o negro e os nazistas contra os judeus", disse Luciana.
A candidata argumentou ainda que o Brasil ainda não tem uma lei contra a homofobia, caso contrário pessoas que fazem discurso como o de Fidelix seriam presas. "É assim (algemado) que você deveria ter saído daquele debate".
Os demais candidatos não falaram sobre a homofobia e a transfobia no Brasil.
Após o debate
Na madrugada desta sexta-feira (3), todos os candidatos participaram de uma coletiva de imprensa na Globo. Levy Fidelix voltou a ser questionado sobre as declarações e garantiu não ser homofóbico. Porém, quando um jornalista perguntou o que ele faria se tivesse um filho gay, ele se limitou a dizer: "Não tenho, graças a Deus".